Uma vez fui viajar e não voltei…

2014-06-24 09.18.52

Uma vez fui viajar e não voltei.

Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.

Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.

Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.

Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.

Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.

Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.

Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.

Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.

Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.

Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.

E quer saber?

Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.

Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.

E ainda tenho muito que aprender.

Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.

Uma fez fui viajar…

e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta.

(Marcelo Penteado)

Do blog : sigoescrevendo.com

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O pijebaye

Sempre chegando em lugar diferente a coisa que mais me chama a atenção de um lugar é a gastronomia e seus pratos tradicionais, neste caso ao colocar os pés no interior do Panamá já pude conhecer uma frutinha que nunca tinha ouvido falar e não tinha ideia de como era, aí está a Pejibaye !!

Entro num armazém na cidade de David  buscando uma piña, ou seja, um abacaxi bem docinho, já que estava com desejos de tomar um suco bem gelado de abacaxi nesse calor úmido da América Central. Mas acontece que a senhora que recém tinha saído tinha levado a última unidade, assim que fui ver em uma bacia ao lado do caixa um monte de frutinhas com um pouco de água e perguntei o que era: pij$#$%&&  entendi eu, ok, isso mesmo quero provar e se gostar levo.

O dono da vendinha descascou e me ofereceu dizendo que tinha acabado de cozinhar, foi uma sensação estranha, uma fruta com gosto de batata-doce, não estava mal, assim que resolvi comprar um saquinho e aprimorar melhor meu paladar com essa novidade. Logo ele comentou, pode comer com maionese(conhecido como “bocas”) acompanhado de uma cervejinha ou com mel também!!! What??? Fiquei só pensando, e fui pra casa pesquisar algo mais dessa novidade.

Vou ao google para descobrir mais sobre essa fruta, mas não tinha entendido o nome. Daí comecei a googlear frutas da America Central e então que descobri, a tal PIJEBAYE!! Uma fruta típica da região, especialmente da Costa Rica. Super nutritiva e cultivada a mais de 500 anos pelos povos indígenas.

Aprovei a tal fruta, mas um pouco “embuchante” , capaz que por isso o carinha do armazém tinha falado da cervejinha. Mas logo no outro dia voltei lá para saber se já tinha piñas ?!

Magical Tour

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Liverpool/UK  Foto by me

Quase todo mundo gosta de Beatles, pelo menos um pouquinho, e se fores até Liverpool e se arriscar a subir no Magical Mystery Bus Tour certamente não vai se arrepender. Bom, eu não sou uma super fã dos Beatles , mas vir ao Reino Unido, passar por Liverpool e não ser Beatlemaniaca por um dia é quase um pecado. 

No momento que tu entras neste ônibus é quase como se fosse teletransportado a um universo “misterioso e mágico” através dos anos e da história dos Beatles.A trilha sonora é aquela bem conhecida, e as histórias que foram contadas, algumas pérolas e muita curiosidade sobre o quarteto de Liverpool.

O ônibus é algo muito parecido com o do filme de 1967, super adequado para a experiência e a viagem começa nas Albert Docks (uma parte do porto que tem o museu dos Beatles, restaurantes, galerias de arte..)e vai pela cidade. Esse tour dura umas 2 horas e passa por locais obrigatórios para os fãs dos Fab Four: Rua Penny Lane, Strawberry Field  e as casas onde os artistas viveram. Tudo isso com um guia muito gente boa, que fez um quiz sobre os Beatles durante o percurso, foi aí que eu descobri que não sabia nada deles. Uma tiazinha escocesa que estava ao meu lado no ônibus, conseguia saber com certeza até o número do sapato do Paul McCartney!

O tour pra mim com certeza valeu a pena, são duas horas divertidas, escutando boa música e é claro conhecendo um pouco mais de Liverpool. E capaz que tu vai sair com a mesma sensação que eu, todas as pessoas que são de lá parece os Beatles falando!! Muito lindo o sotaque, parecem uns bonequinhos!

“Roll up, roll up for the magical mystery tour
Step right this way
Roll up, roll up…”

Vegetarianismo

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Cusco/Peru  Foto by me

Bom, sobre o vegetarianismo. Ainda bem que nos últimos anos ser vegetariano não é mais um bicho de sete cabeças para a população em geral, não só por ter mais adeptos, mas também por terem mais acesso às informações sobre o assunto.
O veganismo pode ser definido como uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do prático, todas as formas de exploração e tratamento cruel de animais na alimentação, no vestuário e com qualquer outro fim.
O repúdio às práticas cruéis inerentes à produção de laticínios e à criação de animais e aves de corte é, provavelmente, a razão mais comum para a adoção do veganismo, mas muitas pessoas são levadas a ele por razões de saúde, ecológicas, espirituais e outras.

No meu caso (não sou vegetariana, pois ainda como peixe de vez em quando), foi um pouco de cada dessas razões. Foi em uma viagem para o Peru que eu comecei a não achar legal comer carne. Primeiro, atravessei a Amazônia em um região totalmente desmatada somente para a criação de gado (não tem como esquecer essa cena: tocos de árvores e algumas ainda de pé, deixadas por serem nativas numa imensidão) e depois já em Cusco  visitando o mercado do centro da cidade, que até então, estava lindo com a variedade de grãos, sucos, chichas e frutas dos Andes, mas quando chego na área das carnes… todos animais sendo cortados ao lado do mercado e de exposição para os compradores: não consegui mais comer carne vermelha.

Mais que se privar de comer animais, acredito que o importante também é saber o que você está comendo e  se preocupar com isso. Pra mim nada adiantaria ser veggie e comer fast-food, enlatados, muita frituras diariamente. E mais importante não é tentar convencer as pessoas de dogmas ou dilemas éticos que levariam ao vegetarianismo. Pelo contrário. Focar a energia em uma proposta saudável de alimentação, capaz de garantir saúde e, principalmente, prazer em preparar os alimentos e comer. Acredito se você não cozinha, perde-se muito ao ser vegetariano.

Não sou uma semi-vegetariana que quer mudar o mundo ou que julga as pessoas que consomem carne ou outros alimentos, creio que o mais importante é dar sugestões de outros tipos de alimentação e estilo de vida que muitos não conhecem e rotulam como coisas de pessoas raras.

” Não adianta praticar ioga e não cumprimentar o porteiro!” , não sei da onde veio esta frase, mas tem a essência do que eu queria passar neste texto. 

Gênesis

 

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Porto Alegre/RS  Foto by me ( da foto do Sebastião Salgado, por supuesto!)

Com a exposição Gênesis do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado em Porto Alegre no mês passado deu para ter uma pequena ideia da grandeza deste artista, não só pelas belas fotos, mas também pelo projeto social, humano e cultural onde ele percorreu lugares de difícil acesso, procurando regiões e povos isolados para a realização deste trabalho. Foram 250 fotografias expostas, tendo como curadora sua esposa Lélia Salgado.

Na exposição, o fotógrafo retrata o ambiente natural em preto e branco. “Genesis” é dividida em seções geográficas que revelam imagens ainda imunes à urbanização. Chegando aos locais por barco, pequenos aviões e até canoa. As cinco seções, priorizando os diferentes ecossistemas visitado são essas:

Planeta Sul – mostra as paisagens da Antártica, englobando a Península Valdés, as Ilhas Malvinas, o arquipélago Diego Ramirez e as Ilhas Sandwich. O mundo gelado da parte meridional da Terra serve de habitat para pinguins, leões marinhos, baleias, albatrozes, pétreis-gigantes e cormorões.

Santuários – enfoca lugares como as Ilhas Galápagos, Nova Guiné, Sumatra e Madagascar. Paisagens vulcânicas, populações anciãs e a peculiaridade da fauna intocada dão o tom da amostra.

África – as imagens captura a vida selvagem do continente em países como Botswana,  Ruanda, Congo e Uganda. Tribos da Etiópia e do Deserto Kalahari. Nessa seção, também são temas os desertos da Líbia e da Nigéria.

Terras do Norte – mostra o extremo norte da América e da Rússia. Além dos ursos polares, se destacam os registros da tribo Nenet, no norte da Sibéria, que resiste às mais baixas temperaturas do planeta.

Amazônia e Pantanal – apresenta a diversidade biológica dos trópicos. Além da flora e da fauna exuberantes, registra tribos isoladas, do Pantanal à região do Rio Xingu.

Ainda que o nome da exposição remeta ao primeiro livro da Bíblia, Sebastião Salgado ressalta que seu projeto não pretende estabelecer intertexto com essa fonte. Sua proposta foi mapear uma série de lugares, nos cinco continentes, em que pudesse captar com suas câmeras um modo de vida e um ritmo quase inalterado, como talvez os seres, a vegetação e as forças naturais nesses ambientes tenham se comportado ao longo de milênios. Oito anos de viagens por mais de 30 países, semanas e meses de persistência e de paciência até alcançar o local ou o momento exato pretendido culminaram num acervo de milhares de imagens, das quais as que constam na mostra são uma espécie de síntese. Em paralelo a esse conjunto itinerante, o livro homônimo, com cerca de 500 fotos, permite levar consigo, para casa, o resultado do projeto. E há ainda a alternativa de apreciar sua autobiografia, Da minha terra à Terra, da editora Paralela.

Sem dúvida, um fotográfo internacionalmente reconhecido que recebeu vários dos principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho, mas também pela sua simplicidade e coragem de ir atrás do que realmente o faz um cidadão melhor.

Jaula do ego

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Bangkok/Tailândia  Foto by me

Ás vezes nos achamos superiores por ter um gosto musical, saber idiomas, ter noção de algumas coisas que outros não tem, mas é aí que o ego toma conta da gente. E aí que todo conhecimento não serve para nada, a não ser para ver que a evolução tem muito para ser trabalhada.

E esse texto nos faz pensar:

Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. 

Sempre esteja consciente ao se sentir superior.
A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica.

O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorce-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. 

Superioridade, julgamento e condenação.
Essas são armadilhas do ego.

– Mooji

Floating Market

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Damnoen Saduak/Tailândia Foto by me
Há muitas pessoas que acham que o mercado flutuante Damnoen Saduak localizado a 110km de Bangkok é uma furada, pois é super turístico e "fake". Acredito que passaram apenas tiraram foto e foram embora. Porque para mim qualquer mercado público em qualquer lugar do mundo vai ter muita coisa interessante para ver, provar, fotografar e conhecer !
O mercado flutuante mais famoso da Tailândia tem esse  nome pelo canal Damnoen Saduak. Este canal foi cavado durante o reinado de Rama IV. Naquela época o transporte era muito precário na Tailândia e isso prejudicava o crescimento econômico do país. Para melhorar esta situação o rei mandou escavar este canal para ligar dois rios de diferentes províncias. De lá para cá mais de 200 pequenos canais foram escavados e conectados ao canal principal.
Às margens desse canais moram muitos agricultores. Com a terra fértil da região, com os canais que garantem água em abundância durante o ano todo e facilitam a escoação da produção estes pequenos agricultores vivem do cultivo de diferentes frutas e vegetais.
O mercado Damnoen Saduak se divide pelos canais e tem três pontos diferentes de venda: Talat Ton Khem, com 100 anos esta é a parte mais antiga do mercado, Talat Hia Kui, esta é a parte mais turística do mercado e a Talat Khun Phitak, este ponto de venda fica num canal secundário e recebe menos turistas.
Muitos agricultures levam seus produtos para serem vendidos neste mercado. O transporte e a venda das mercadorias são feitos pelos próprios produtores e em pequenos barcos.

No vilarejo os quarteirões não são marcados por ruas transversais, mas pelas vias fluviais.
 Dezenas de canoas repletas de produtos perambulam pelos canais. O vendedor, com um remo na mão, escolhe onde encostar para oferecer sua colheita. Todas as frutas e os legumes plantados nas imediações acabam em algum barquinho. Do produtor direto ao consumidor, de barquinho. A variedade é imensa : mas o que mais gostei foi umas panquecas de coco feitas na hora e o tal de rambutão (parecido com lichia).

O mais interessante é se perder neste local, ir por conta própria, trocar ideia com os locais e navegar neste mercado flutuante!

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